Cometa Ison e suas peculiariedades

Após os intensos debates se o Ison sobreviveu ou não ao seu Periélio, onde mais parece que o cometa fez uma “traquinagem” com os especialistas e contra todas as teorias. E  se mostra como um cometa único na sua categoria.

Pela animação da ESA/NASA/SOHO/C3, onde vemos sua aproximação e passagem pelo periélio  ele continua sua saga de errante do Universo,

ISON – crédito ESA/NASA/SOHO/Jhellioviewver

Agora todos estão procurando um teoria ou desenvolvendo uma nova, mas uma coisa é certa: o ISON registrou seu nome nos manuais de astronomia!

Aqui alguns links interessantes sobre discussões do cometa na fase pós-periélio:

 

http://www.metsul.com/blog2012/Home/home/460/ISON_-_O_cometa_que_morreu_sem_morrer_ao_encontrar_o_Sol

 

http://www.nasa.gov/content/goddard/comet-ison-may-have-survived/#.Upj4SLWJCHv

http://g1.globo.com/platb/observatoriog1/2013/11/29/ison-o-cometa-piadista-do-seculo/

http://www.apolo11.com/cometa_73p.php?titulo=Cometa_ISON_reaparece_e_surpreende_especialistas._E_agora_&posic=dat_20131129-095353.inc

 

Crônica sobre cometas e o ISON.

Entre os vários comentários nos blogs sobre o ISON, recebemos na lista do nevoeiro esta crônica do Site G1  de autoria do Cassio Barbosa , reproduzimos abaixo na íntegra:

Nós estivemos acompanhando aqui no G1 e em vários outros sites toda a saga do cometa Ison, lembra? Desde que foi descoberto ele foi batizado de “cometa do século”. Isso porque ainda além da órbita de Júpiter, seu brilho já era o de um cometa que estivesse muito mais próximo. Aplicando-se os modelos que descrevem como o brilho aumenta com a diminuição da distância ao Sol, a previsão era de que seria possível que ele fosse visto até mesmo de dia. Esses modelos foram construídos em observações de cometas típicos durante décadas, sendo aperfeiçoados cometa após cometa.

Para que ele se tornasse o tal cometa do século, o Ison precisaria resistir a uma prova e tanto. Sua órbita previa um periélio (a menor distância até o Sol) tão curto que o cometa teria de atravessar a coroa solar sem ser destruído, tanto pelas imensas temperaturas, quanto pelas intensas forças gravitacionais. Os prognósticos eram ruins, mas outros cometas passaram por isso anteriormente e sobreviveram para contar a história, ainda que nenhum tenha ficado tão brilhante assim.

O fato é que o Ison não é um cometa típico e adora pregar peças nos astrônomos: ele estava brilhante onde deveria estar fraco; ele manteve seu brilho constante, quando deveria ter aumentado; sofreu uma violenta erupção, com a emissão de jatos, quando seu núcleo estava “adormecido”; e finalmente, perdeu brilho conforme se aproximou do Sol, quando deveria estar em seu máximo, e se desintegrou no periélio. Só que não!

Já há dois dias que venho acompanhado o Ison quase que de hora em hora, através das imagens obtidas pelos satélites que monitoram continuamente a atividade solar, como o Soho e os Stereo. Durante a tarde a expectativa pela passagem pelo periélio e a sobrevivência do núcleo após esse encontro tórrido com o Sol tomou conta de muita gente. Tanto que o site do satélite Soho, com as melhores imagens dessa passagem saiu do ar.

No meio da tarde o Ison mergulhou por trás do disco solar e suas últimas imagens não eram lá muito auspiciosas. Elas mostravam um cometa com “cabeça pontuda”, como se as partes externas de uma pedra fossem sendo desbastadas, até que uma bolinha brilhante se tornasse a ponta de um alfinete brilhante. Esse é o sinal de que o núcleo é consumido ou se desintegra. Em ambos os casos, destruído.

Durante algum tempo ainda, astrônomos ficaram debatendo se o Ison surgiria novamente nas imagens dos satélites, mas ninguém tinha muita esperança.

Quando já havia um consenso de que o Ison não teria resistido ao seu periélio,  o Soho mostrou uma imagem em que é possível ainda ver uma tênue cauda surgindo na direção esperada para o cometa. Tipo cauda de um núcleo inexistente.

O que deve ter acontecido é que fragmentos do núcleo do Ison continuaram seguindo a órbita do núcleo, como uma bola de neve que vai se despedaçando durante o voo. Apesar das aparências e querer muito que fosse ele, sem dúvida nenhuma o Ison nos pregou outra peça!

Em primeiro lugar, o tal cometa sem cabeça foi interpretado como os fragmentos do núcleo exauridos de todo o gelo, portanto, com pouco brilho. Só a reflexão da luz do Sol nos destroços rochosos. Só que aos poucos o a ponta dessa agulha está se tornando mais brilhante.

Na última imagem do Soho, neste começo de madrugada, ele voltou a ter coma! Isso pode significar que uma parte do núcleo do cometa deve sim ter sobrevivido e está ativo, ou seja, ainda há gelo suficiente nele para formar a coma em volta do núcleo e uma pequena cauda! O cometa deve então seguir sua trajetória e voltar a ser observado no começo de dezembro, especialmente no hemisfério norte.

Mas, na real, eu não aposto em mais nada e termos de previsão para o Ison. Dois colegas meus “enterraram” o cometa mais cedo. Eu mesmo reescrevi este post 2 vezes e ainda estou esperando as imagens mais recentes para poder dizer alguma coisa com mais firmeza. Não duvido que mais tarde as imagens mostrem que essa coma seja a fragmentação derradeira dos destroços do núcleo, pondo um ponto final nisso tudo.

Mas uma coisa é certa. O Ison veio para animar o cenário de cometas. Astrônomos que lidam com imagens do Soho afirmaram que já viram centenas de cometas, mas nenhum como esse. Adaptando uma piadinha que correu no Twitter desse pessoal, “exemplos de mortos que voltaram à vida: vampiros, zumbis, Jason e agora o Ison.

*Crédito: Agência Espacial Europeia “

Fonte: http://g1.globo.com/platb/observatoriog1/2013/11/29/ison-o-cometa-piadista-do-seculo/

 

 

 

C/2012 S1 ISON – A Saga ISON – ISOFF

 

O dia de hoje, 28 de novembro de 2013, foi de grande expectativa para os astrônomos do mundo todo, pois marcou o periélio do cometa ISON. Isso significa que às 18h43 UT desse dia, o chamado “cometa do século” esteve em seu ponto mais próximo ao Sol.

A expectativa dos astrônomos em validar suas teorias sobres os cometas (explode? Sobrevive? Por quê?) fizeram os principais fóruns sobre o assunto baterem recorde de mensagem/hora, além de tornar o acesso às imagens da sonda SOHO um verdadeiro milagre.

A NASA fez um hangout com 2 horas de duração para tentar mostrar “ao vivo” o registro do ISON feito pelas sondas SDO.

A saga ISON e ISOFF (obrigada pela piadinha Glauco)  foi acompanhada e discutida por diversos membros do Nevoeiro. Veja abaixo um pouco do que aconteceu.

ISON – Todo mundo vendo o cometa se aproximando do Sol com brilho e força consideráveis. Alguns canais chegaram a dizer que era possível visualizar o ISON a olho nu.

ISOFF – A morte foi declarada em diversos momentos para o cometa, principalmente depois que a imagem abaixo foi divulgada.

ISON_C2_2

2013 November 28 @ 17:36 UT
Aqui a foto mostra uma CAUDA sem COMA, ou seja, o núcleo do cometa não existira mais.

http://www.alpo-astronomy.org/cometblog/?p=148

ISON – O cometa volta a dar o ar da sua graça. A foto de 29-Novembro mostra que uma grande quantidade de material resistiu e não sublimou como foi noticiado.

latest

2013 November 29 @ 09:11 UT

Veja a saga completa do ISON em diversos ângulos nas imagens abaixo.

-clique na imagem para ver a animação-

Visão do C2 da SOHO
lasco-ison

Visão do COR2 da STEREO
S2MEa15

Visão do C3 da SOHO
ISONC3latest

sol_azul_grande

 

O texto a seguir foi retirado e traduzido da lista de discussão comets-ml, do Yahoo! Groups, e descreve a opinião do Carl Hergenrother sobre o que pode ter acontecido com o ISON.

O que pode estar ocorrendo:

1) O núcleo do ISON fragmentou em vários pedaços menores. É essa nuvem de mini-núcleos que continua a sublimar . Ao invés de um coma condensado agora temos um coma prolongado difusa que deve continua a espalhar-se e desaparecer. Os mini-núcleos individuais vão se separar ( devido à pressão da radiação solar e ventos solares ). Isto é o que ocorreu com outros cometas desintegrados como C/1999 S4 ( LINEAR ) C/2010 X1 e ( Elenin ). O rompimento não significa que o cometa desaparece instantaneamente, como os mini-núcleos pode durar alguns dias ou semanas após a fragmentação . De certa forma, o cometa parece apenas desmoronar. Com base nas imagens SOHO que eu vi esse é o meu palpite para o que está acontecendo com ISON .

2) Grande parte do coma ISON consistiu em pequenas partículas de poeira que foram vaporizados pelo calor intenso do sol. Vimos algo semelhante com C/2011 W3 ( Lovejoy ) como apontado por Joe Marcus, Zdenek Sekanina e Paul Chodas em seus artigos sobre o assunto . Se este é o caso com ISON , deve sumir a medida que se afasta do sol.

John Bortle mencionou o caso de Seki-Lines em 1962. Como ISON , uma dinâmica nova cometa que se aproximaram centésimos de UA do sol e apesar de terem sido brilhante antes e depois do periélio, não foi observado no momento do periélio. Era quase como se o cometa fosse desligado próximo periélio. Talvez fosse a vaporização do seu coma poeira pelo intenso calor solar ou qualquer outra coisa, mas um segundo exemplo de cometa, o Lovejoy, parecia desaparecer próximo periélio só para voltar forte depois.

Se tivermos sorte, o núcleo permanece em uma única peça para refazer a coma e cauda mais substancial.

– Carl Hergenrother

O cometa em si não se apresentou como o “GRANDE COMETA DO SÉCULO”. Repare no tamanho do ISON (no centro) em comparação com o C/2006 P1 McNaught (à esquerda) na figura abaixo.

comparacao

O site Apollo 11 também acompanhou o “cometa do século” e registrou os diversos momentos ISON e ISOFF. Clique aqui para acessar a matéria.

Como o ISON foi imprevisível em diversos momentos da sua trajetória até aqui, agora o jeito é esperar e ver como o cometa (ou o que sobrou dele) irá se comportar.