Astronomia na Fazenda

Dois dias relaxando em Pinhão-PR, a 300Km de Curitiba.
É verdade… faltaram as fotos do CÉU!

Nestas duas noites observamos o que era mais fácil de encontrar. Nossas tentativas de duas galáxias em Ursa Maior e a Spindle galaxy no Sextante fracassaram parcialmente, entao o jeito foi fazer o simples
A maior parte do que vimos foi céu profundo, mais especificamente nebulosas. Conseguimos observar Carina, Lagoa, Trifídia e Tarântula todas com grande extensão, faixas escuras e formas. A nebulosa da Tarântula tem formas muito peculiares, e na mesma região é possível observar aglomerados abertos e globulares, deixando o campo de visão bem rico. Trifídia pelos meus cálculos era vista com uma extensão angular de 0,5º enchendo o campo de visão a 100x, poderia até dizer que era vista maior que isso, mas como a região ali é muito rica, tudo brilhava, então eu já nem sabia se era extensão da nebulosa ou outra coisa.
Em segundo lugar observamos algumas galáxias. Centaurus A com uma faixa preta no meio, bem grande e com alto contraste, mas foi Sombrero que revelou sua forma de ‘galáxia de verdade’ com um bojo bem marcado e seu disco brilhante. Fora isso o que mais vimos eram algumas regiões com clusters de galáxias, várias manchinhas aparecendo pelo campo de visão.
Na segunda noite vimos um bólido (meteoro que explode). Houve um clarão iluminando todo o campo e quando viramos era uma bola luminosa caindo à nordeste. Um outro colega do nosso grupo de astronomia disse ter visto o mesmo bólido, estando observando na mesma noite em um local a quase 300Km de onde nós estávamos. Até agora só vi dois destes bólidos na minha vida.
Só que além dos meteoros corriqueiros, tivemos também um verde que cruzou o céu norte na horizontal deixando um longo rastro. Este cruzou um longo trecho no céu de mais de 100º ‘voando’ por quase 3 segundos.
Por fim como a parte didática mostramos Saturno e Carina para o capataz da fazenda e o filho dele.

Um balde cheio de luz – O maior telescópio na região sul do Brasil

Desde o fim de 2008 andava às voltas com o projeto de um telescópio gigante. Quanto maior melhor, mais luz capta e consegue ver coisas e detalhes que são invisíveis nos telescópios miúdos. Maior é a resolução da imagem e a magnitude limite atingida.
A partir de certo tamanho a coisa começa a ficar profissa, requerendo soluções bem estudadas e trabalhadas, sem espaço para improvisos. Por isso a necessidade de um projeto pelo menos conceitual para guiar os passos durante a construção do aparelho.
o.

Este telescópio aqui é um refletor newtoniano com objetiva de meio metro de diâmetro, ou exatos 511mm. Tem foco de 2520mm. A objetiva está montada em uma célula de apoios flutuantes. O espelho secundário tem 102mm de largura na parte menor, e pesa 750g. Ele está instalado em uma aranha de fios que minimiza ao máximo a difração dos suportes, além de ser uma peça impressionante.
Esta óptica foi feita sob encomenda em uma empresa especializada em óptica astronômica nos EUA.

A montagem é uma equatorial ferradura, com diâmetro de 1,3m. Isto é o eixo de ascensão reta.
O eixo de declinação utiliza eixos de 120mm de diâmetro montado em dois tipos de rolamentos. O mancal externo de alumínio ficou com 180mm.
A altura total do telescópio é de 2,8m e ele pesa aproximadamente 120Kg.

Neste último domingo fiz a primeira luz do telescópio. Aqui mostro as fotos da tarde enquanto testava o alinhamento do telescópio.
Moro na parte de norte de Curitiba, onde a PL não é tão intensa mas mesmo assim atrapalha bastante. Pelo menos pude ver um pedaço de céu onde estava Ômega Centauri onde testei o foco das oculares. Todas deram foco porém o plano focal não está bem onde eu queria e durante a próxima semana irei mexer um pouco nas hastes de treliça para modificar isso.
Fora estes detalhes as visões são cristalinas e bem detalhadas. O aglomerado globular acima é visto bastante extenso, e com as estrelas do centro e da borda resolvidas a meros 60x de aumento (que é o menor que eu tinha disponivel na hora).
Daqui a pouco será a hora de carregar este monstrinho para um observatório no interior de SP, mas enquanto isso espero aproveita-lo um pouquinho mais por aqui.

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Satélites, falcões, Marte e Lua cheia na primeira noita limpa em muito tempo por aqui.

Neste último sábado estava aqui em casa com dois amigos que estavam me ajudando em umas tarefas durante o dia.
Ao anoitecer vimos que o céu ficou bem limpo e aproveitando a rara oportunidade colocamos a lunetona na calçada para observar principalmente Marte e a Lua que estava quase cheia.

Esperando o planetinha e a Lua ficarem mais altos no horizonte aproveitamos para fazer um aquecimento observando satélites a olho nu. Foram avistados vários indo de norte a sul e um no sentido contrário sul-norte.

Logo que Marte subiu um pouco mais observamos porém a turbulência atmosférica perto do horizonte prejudicava muito a imagem. Esperamos mais e logo veio e Lua a qual ficamos observando por um bom tempo. Eu gostei e acredito que os colegas também porque cada um ficou um tempo enorme com o olho grudado no telescópio.

Um deles disse que viu uma coisa preta passar ‘sobre’ a Lua mas que não deu pra saber o que era. Só que o felizardo fui eu: observando a Lua cheia apareceu um falcão pairando na frente dela.

Quem já esteve no campo deve saber qual é: um pequeno falcão branco com  a ponta das asas machadas de preto. Ele faz um planeio feito um pêndulo e no ápice ele bate as asas e assim fica voando parado no mesmo lugar, olhando para baixo procurando uma presa.

Diante da Lua o falcão fez dois pêndulos e dois planeios. Algo assim de uns 10 segundos no total.
Foi uma visão muito bonita a sombra da ave diante da Lua cheia. Tão bonita que não achei nenhuma foto na internet que chegasse perto do que eu vi, mas estou anexando uma aqui neste texto só para ilustrar melhor.

Por fim veio Marte mas ainda estava muito turbulento.  Só depois que todos foram embora eu esperei mais uma hora e então pude observar melhor a superfício do planeta. Vi sua cor laranjada carcterística, duas manchas mais escuras, e a calota polar meio difícil de ver. A foto no post também é meramente ilustrativa.

Logo Marte se afastará novamente da Terra e não será mais possível vê-lo com estes detalhes.

Observação na Lapa-PR

Saímos de Curitiba lá pelas 20:30hs da sexta e nem lembro que hora chegamos lá.
Estávamos em quatro: Bruno, Leandro, Murilo e Reginaldo. O Murilo foi nosso anfitrião.
O local tinha pouca PL e por isso um céu muito promissor. É um dos locais com menos PL aqui por perto.
É muito bom para observar as nuvens de Magalhães bem destacadas até mesmo por detrás da névoa!
Usando um binóculo dava pra ver a extensão da GNM um pocuo maior do que a gente pressupõe quando só vê a parte mais brilhante.
Durante a noite contamos vários meteoros, alguns que deixaram rastros esverdeados passando por Gêmeos.
A maior parte do tempo eu fiquei meio desligado, mas o que lembro de destaque da noite foi a observação de seis estrelas no trapézio de Orion, a observação de Marte, e claro as nuvens de Magalhães e os objetos ao redor delas.
Abaixo uma foto do sul celeste visto do local.

Um dos maiores telescópios amadores do Brasil

Finalmente o espelho primário de 511mm chegou dos Estados Unidos depois de uma grande odisséia.  Será um telescópio entre os maiores do Brasil, o maior de toda a região Sul.
O projeto está sendo desenvolvido pelo Leandro Trevisan.

Abaixo fotos do espelho primário:

Mais informações no tópico do fórum: Portal Céu Profundo e Are you Sirius?

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