CONJUNÇÃO VÊNUS E PLÊIADES EM 2,3 E 4 DE ABRIL DE 2020

Eu registrei um evento astronômico meio raro, demora 8 anos para acontecer novamente , que é uma conjunção do planeta vênus com as Plêiades, asterismo de estrelas azuis, muito bonito, conhecido também como as 7 irmãs , e oficialmente parte do catálogo M45.

Usando as palavras de um blog: “Devido aos períodos orbitais da Terra e Vênus, essas conjunções ocorrem em ciclos de oito anos, a cada dois anos bissextos no início de abril. A última vez que esse evento ocorreu foi em 3 de abril de 2012 e acontecerá novamente apenas em 3 de abril de 2028” (https://starwalk.space/pt/news/april-2020-venus-pleiades-conjunction)

A foto abaixo tirei no dia 03/04/2020 19:57hs com Vênus dentro do asterismo das Plêiades. Esse é o lado Noroeste, no por do sol. Foto: ISO 6400, Canon 3Ti, focal 75mm, 1.6s exposicão, F5.6 – Matinhos/PR

Pelo  stellarium , estava assim no dia:

20.04.23 Observação – São Luís do Purunã

O dia seguinte estava igualmente ideal para uma sessão de astrofotos. A seca e estiagem estão castigando nossa região, mas tem proporcionado esses finais de dia belos. Coisa muito rara nos últimos anos. Uma seca assim eu lembro de ter visto na década de 70 quando fui ver os paredões expostos das Cataratas do Iguaçú.

Chegando no local encontrei o Haroldo que estava hospedado com a família. Fui conversando com ele e logo o Reginaldo se juntou ao grupo. Nos cumprimentamos sem apertos de mãos ou abraços, mantendo o espírito de prudência exigido pela época excepcional.

Fiz uma rápida astronomia na calçada para os novatos, mostrando belos objetos: Vênus em fase, as galáxias Tweezzers, Centaurus A, Sombreiro, o aglomerado aberto Jewel Box, o globular Ômega do Centauro, a nebulosa de emissão Eta Carinae, com a nebulosa escura Key Hole e com mais aumento o Homúnculo do par de estrelas em iminente explosão. Também apontei as constelações com o laser verde e mostrei a grande nebulosa de Órion na espada de Órion.

O objetivo da noite era melhorar alguns registros de objetos na região de Canes Venatici, Ursa Maior, e Coma Berenice, pois nestes anos dificilmente encontrei céu aberto para apreciar essa região no início da noite. Tentei ajustar a autoguiagem, mas como o ajuste demorava e já passava de 22h00, abandonei a ideia e aproveitei o alinhamento bem feito para fazer alguns registros.

NGC:4244 C26 GALXY RA:12h18 DEC:37°47′ m:10.2 Silver Needle CVn

Orion 254mm f/4.7 + MPCC MK III + EOS 80D + Atlas EQ-G
10 × 30s @ISO 3.200
NGC:4449 C21 GALXY RA:12h28 DEC:44°06′ m:9.4 Box Galaxy CVn

Orion 254mm f/4.7 + MPCC MK III + EOS 80D + Atlas EQ-G
15 × 30s @ISO 3.200

20.04.22 Observação – São Luís do Purunã

Aproveitando os dias de céu bom, temperaturas amenas e Lua em fase favorável, fui novamente ao campo para uma experiência com a autoguiagem nas astrofotos.
Cheguei ao local de observação pouco após as 19h00 e iniciei a montagem. É um processo um tanto demorado para fazer astrofotos, pois exige um bom alimento do eixo R.A. (ascensão reta) com o pólo sul celeste. Com um vento fraco, também montei uma barreira contra ventos que improvisei e deixo no local de observação; ela tem se mostrado muito útil para isso, e até para conforto nas observações.

Tudo ajustado, dei uma passeada por Órion e sua grande Nebulosa, e iniciei o processo de preparo para registro das imagens. Encontrei uma estrela guia, ajustei a buscadora, o foco da buscadora, e acoplei a câmera da autoguiagem. A autoguiagem LVI-2 demorou para encontrar uma estrela guia, pois é do tipo autônoma, sem uso de laptop; resiste bem ao orvalho, é robusta, porém seu processador é mais lento. Todo o processo consome um bocado de tempo, e foi por este motivo que não adotei ele na série de fotos que fiz de todos os objetos possíveis de Caldwell e Messier (talvez eu seja o primeiro do estado que concluiu isso). Na minha região essas noites de céu bom são raras e precisei optar por astrofotos minimalistas para completar a tarefa que me consumiu sete anos. Agora posso me dedicar no aperfeiçoamento de alguns registros.

Nesta sessão fotografei o Tripleto de Leão e a Markaria’s Chain novamente. Até para comparar com o registro que fiz dela na semana anterior. Com menos frames gostei mais do resultado com a autoguiagem, pois revelou mais detalhes. Aproveitei também para registrar a região de M87, imediatamente ao lado, com mais alguns frames.

Perto de 23h00 orvalhou embaçando a lente da buscadora, e o espelho secundário, exigindo uma intervenção com o soprador de ar quente (secador de cabelos). Aprendi com o Reginaldo que após a precipitação do orvalho o céu melhora, e de fato isso aconteceu, mas já passando de meia noite resolvi encerrar após mais algumas fotos.

NGC:3623 M65 GALXY RA:11h19 DEC:13°05′ m:10.25 Triplet LEO
NGC:3627 M66* GALXY RA:11h20 DEC:13°00′ m:8.9 Triplet LEO
NGC:3628 GALXY RA:11h20 DEC:13°35′ m:9.4 Triplet LEO
Orion 203mm f/4.9 + MPCC MK III + EOS 6D + Atlas EQ-G
LVI2 Autoguider + Baader Vario Finder 10 × 60
7 × 30s @ISO 3.200
Markarian’s Chain com M84, M86, The Eyes e outras galáxias, em Virgem.

Orion 203mm f/4.9 + MPCC MK III + EOS 6D + Atlas EQ-G
LVI2 Autoguider + Baader Vario Finder 10 × 60
21 × 30s @ISO 3.200

20.04.16 Observação – São Luís do Purunã

Olá.
Na quinta-feira, 16 de Abril, as 18h10 me dirigi ao local de observação afastado da cidade para aproveitar o céu limpo. Fui sem maiores preocupações com o tal vírus chinês, pois lá não tenho contato com ninguém. Já na estrada de chão, bem conservada, me deparei com um lebrão correndo diante do carro, seguindo o caminho. Diminuí a velocidade e fui apreciando a cena até o bicho encontrar uma brecha e fugir pelo capim alto.

Órion se pondo, com Vênus muito brilhante.

Inciei a montagem as 19h10, devagar pois estava com o pé machucado, e como ando bastante até o carro e o telescópio, o processo foi lento. Mesmo assim, as condições de observação estimulavam e compensavam qualquer desconforto. A mínima não passou de 9°C, sem vento, seeing muito bom e sem qualquer orvalho. A Lua nasceria no início da madrugada, lá por 2h00.

Meu objetivo desta vez era melhorar uma captura da Markarian’s Chain. Um erro no alinhamento provocou um pouco de deriva, mas consegui um número grande de bons frames.

Markarian’s Chain com M84, M86, The Eyes e outras galáxias, em Virgem.

Orion 203mm f/4.9 + MPCC MK III + EOS 6D + Atlas EQ-G
47 × 30s @ISO 3.200
Centauro, Cruzeiro, Carinae, Grande Nuvem de Magalhães, Pequena Nuvem de Magalhães e a região do Polo Sul Celeste.

Enquanto capturava as imagens, fui apreciando o céu com o binóculos, passeando por alguns objetos, e constelações. Estava muito bom.

Após registrar o espetacular conjunto de galáxias da Markarian’s Chain, resolvi dar uma olhada em M51, nas proximidades da Ursa Maior, em Cães de Caça. Aproveitei e fiz esse registro, com o 203mm e a full frame, em um campo bastante amplo. O meu registro anterior dela foi com uma 60D.

NGC:5194 M51 GALXY RA:13h30 DEC:47°12′ m:8.4 Whirlpool CVn

Orion 203mm f/4.9 + MPCC MK III + EOS 6D + Atlas EQ-G
7 × 30s @ISO 3.200

Encerrei a sessão de astrofotos as 23h30, desmontei, guardei, e parti 0h10. Na estrada apreciei o nascimento de Júpiter alinhado com Saturno. Marte viria a seguir, mas não quis esperar, pois era tarde para um dia de semana e o dia seguinte me aguardava.

20.03.14 Observação – São Luís do Purunã

Olá.

No último sábado fomos fazer uma observação, aproveitando a massa de ar seco e algumas horas de céu aberto sem Lua.

Cheguei ainda com luz do dia, e aproveitei um belo por do Sol enquanto montava o equipamento e me despedia do pessoal que desocupava a pista (algumas pessoas e um menino ficaram para olhar pelo telescópio).
Logo chegaram o Reginaldo e seus convidados, um colega de trabalho e sua filha; o Ivan e esposa. Eu montei o meu 203mm, Reginaldo montou seu espetacular 300mm e Ivan um dobsoniano de 150mm. Com três telescópios foi um astrofesta.

Fui fazendo uma astronomia na calçada com a Nathália, e o pessoal que ficou; apontando as constelações de Órion, Touro, e Cão Maior, mostrando a grande nebulosa de Órion, as Plêiades, Hyades, e depois virando para o Sul, apresentei a Caixa de Jóias, Ômega do Centauro, Eta Carine, onde me detive mais. De uma panorâmica com binóculos fui para pouco aumento (28x) até o máximo de 200x com a ocular de 5mm; com a qual pudemos observar as bolhas douradas do homúnculo. Nathália percebeu a Keyhole Nebula sem eu precisar comentar.
Dali visitamos os aglomerados abertos Whishing Well e Diamond, este último estava sem graça, e fomos para as nuvens de Magalhães, e seus objetos, Tarântula e 47 Tucanae.

No começo da sessão vimos um satélite brilhante cruzar o zênit, e mais adiante alguns viram belos meteoritos.

Por volta de 22h00 começou a ventar um pouco e o céu foi fechando rapidamente no horizonte. No alto ainda aberto pudemos apreciar Tau do Cão Maior para fechar essa proveitosa sessão de 2h30 que passou voando.

Enquanto desmontávamos batemos um papo e contamos alguns causos, perto de meia noite nos despedimos e saímos com uma lebre cruzando do campo de soja na direção do pasto dos cavalos. Na estrada a Lua nascendo foi mais um bônus da noite.

Fernando Lopes